CTI Renato Archer lidera ranking do cenário de pesquisa em Bioimpressão na América Latina


Infográfico com imagem de uma bioimpressoraAtualmente, o Brasil desponta como líder em publicações e estudos sobre bioimpressão na América Latina. O estudo “Analysis of the knowledge landscape of three-dimensional bioprinting in Latin America”, responsável pela classificação do conhecimento científico dos países latino-americanos na área, apontou o CTI Renato Archer como instituição líder no ranking de publicação sobre bioimpressão 3D. O artigo, publicado na International Journal of Bioprinting, também citou o pesquisador do CTI, Jorge Vicente Lopes da Silva, e o pesquisador colaborador Rodrigo Alvarenga Rezende, como os profissionais que mais têm artigos publicados na área, respectivamente.

Os dois pesquisadores explicam que estes dados são frutos de mais de uma década de trabalho desenvolvido no Núcleo de Tecnologias Tridimensionais (NT3D) do CTI. Rodrigo Rezende recorda que, a partir dos anos 2000, a comunidade científica percebeu a importância da manufatura aditiva (ou impressão 3D) para a busca de soluções automatizadas na área da engenharia de tecidos, ramo da ciência aplicada, na qual os conhecimentos de engenharias, ciências da vida, computação, biologia, química e física, dentre outras, são utilizados para potencialmente desenvolver tecidos e órgãos humanos como uma forma segura e eficaz de reduzir as listas de espera para transplantes, configurado como um problema mundial. A partir da atual década, a Tecnologia da Informação começou a ser melhor percebida como fundamental para o desenvolvimento da área.

“Os congressos e encontros científicos já discutiam a possibilidade da utilização de biomateriais em impressoras 3D e o uso da tecnologia da informação para o desenvolvimento de modelos computacionais de estruturas mais adequadas para a impressão de tecidos. Nesta época, o CTI já possuía a melhor infraestrutura laboratorial de impressoras 3D do país, além de profissionais especializados na área da manufatura aditiva. Dessa maneira, trazer mais esta área de pesquisa para o nosso laboratório era algo muito viável”, conta Rezende.

Um fator importante para a implantação e fortalecimento da área da bioimpressão no CTI foi a parceria com pesquisadores e instituições internacionais, que já desenvolviam pesquisas na área da engenharia de tecidos. O pesquisador e atual diretor do CTI, Jorge Silva, lembra que um dos principais marcos do desenvolvimento da área nos laboratórios do NT3D foi a estadia do médico, cientista e professor Vladmir Mironov, um dos pioneiros da bioimpressão, por diversas vezes, como pesquisador visitante no CTI com apoio do CNPq e FAPESP. Mironov desenvolveu uma série de estudos, os quais foram trazidos para o CTI, para viabilizar a impressão tridimensional de estruturas teciduais contendo um conjunto maduro de células denominado esferoide tecidual. Essa técnica dispensa o uso de construtos sólidos, ou scaffolds, que são uma espécie de molde tridimensional, no qual o material celular é acomodado para o desenvolvimento do novo tecido.

“Mironov, em um evento, conheceu o trabalho do CTI nas áreas da manufatura aditiva e da TI e percebeu o quanto o nosso conhecimento seria agregador às pesquisas que ele estava desenvolvendo. Ele é um dos exemplos dentre diversos outros pesquisadores, como o Marco Antonio Sabino Gutiérrez, que ajudaram a estruturar o conhecimento que o CTI tem hoje na área de bioimpressão.”, afirma o diretor do CTI.

Impressão 3D com biomaterial: Atualmente o CTI está iniciando a implementação de um laboratório de cultivo celular para implantar um projeto de pesquisa, no qual a biotinta com células tronco será utilizada como insumo da bioimpressora 3D. O laboratório será utilizado no estudo das pesquisadoras visitantes do CTI, Juliana Daguano e Janaína Dernowsek, além de outros pesquisadores, que usarão a biompressão para desenvolver um implante para defeitos osteocondrais, região de interface entre o osso e a cartilagem, bastante afetada em caso de lesões no joelho.

Juliana explica que a bioimpressão feita de biomaterial poderá solucionar o desafio de construir uma estrutura extremamente estratificada e diversa como a osteocondral, com características de diversas composições químicas, bioquímicas e mecânicas diferentes. Além disso, a utilização de células tronco do próprio paciente com a lesão, diminuirá a possibilidade de rejeição do implante. 

“Atualmente temos próteses e implantes adequados para tecidos ósseos e para cartilagem. Mas por conta dessa complexidade bioquímica e biomecânica dos osteocondrais, não existe um biomaterial comercialmente adequado para esse tipo de implante. Por isso, os médicos acabam tendo bastante dificuldade de tratar lesões nos joelhos dos pacientes, por conta da dificuldade da especificidade da região osteocondral”, explica a pesquisadora.

O projeto, que está sendo desenvolvido pelo CTI em parceria com a UFABC, é financiado pela Fundação de Apoio à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp) e terá seus primeiros resultados apresentados nos próximos dois anos.

Acesse o artigo “Analysis of the knowledge landscape of three-dimensional bioprinting in Latin America”, clicando aqui.

Esquema de processo de biotimpressão

 Esquema do processo de bioimpressão de órgão

 

Assessoria de Imprensa do CTI Renato Archer
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