Barco Autônomo IRACEMA integra a expedição científica no Baixo Rio São Francisco


Barco robótico

O CTI através de seu núcleo Nordeste (CTI-NE) compõe a expedição científica no Baixo Rio São Francisco que tem como objetivo elaborar o diagnóstico preliminar da carcinicultura na região do baixo São Francisco, além de avaliar os impactos socioambientais por meio da coleta de dados sobre pesca, socioeconomia, poluição aquática, ictiologia, carcinologia, aquicultura, parasitas de organismos aquáticos e agrotóxicos.

O CTI-NE e parceiros desenvolveram o Barco Autônomo Iracema, financiado pela FINEP, o qual está sendo utilizado na expedição. O barco IRACEMA é autônomo programável e configurável para embarcar diversos equipamentos e instrumentos científicos, tais como: sonda multiparamétrica, sonar sidescan, ecobatímetro. Os equipamentos embarcados permitem o monitoramento ambiental remoto, manualmente e de forma autônoma, em tempo real pela comunicação com uma estação base. O Iracema é um barco tipo catamaran de 4m de comprimento com capacidade para 3 tripulantes.

Além do IRACEMA a expedição conta com um barco de 23 metros, o MARAVILHOSA, e com a participação de 40 integrantes, entre pesquisadores e alunos da UFAL, representantes da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), do Ministério da Ciência Tecnologia, Inovação e Comunicações (MCTIC), do Instituto Federal do Ceará (IFCE) e do Centro Oceanográfico de Vigo da Espanha.

Barco robóticoA expedição ocorre durante a 15ª Semana Nacional de Ciência e Tecnologia (SNCT), entre os dias 15 a 19 de outubro, e percorre a região do Baixo São Francisco abrangendo as cidades de Traipú, Porto real do Colégio, Propriá, Igreja Nova, Penedo e Piaçabuçú, num total de 100 km de extensão.

A expedição tem um custo aproximado de R$ 170 mil e está sendo patrocinada pela Universidade Federal de Alagoas (UFAL), Comitê da Bacia Hidrográfica do Rio São Francisco (CBHSF), Fundação de Amparo à Pesquisa em Alagoas (Fapeal), Emater (Instituto de Inovação para o Desenvolvimento Rural Sustentável de Alagoas) e do Centro de Tecnologia da Informação Renato Archer (CTI-NE). A expedição também é integrada pelos seguintes parceiros internacionais: a Universidade do Porto (Portugal) e o Instituto Espanhol de Oceanografia (IEO -Espanha).

A motivação se deve aos poucos dados do Velho Chico, por isso o grupo se propôs a desenvolver um amplo estudo de dados das espécies aquícolas, da engenharia de pesca, da aquicultura, de vegetação ciliar, do nível de assoreamento, do impacto ambiental terrestre, da meteorologia, da toxicologia, da parasitologia e da poluição aquática.

 

Barco robótico Além das informações socioeconômicas das populações tradicionais e de pescadores que desempenham atividades nas comunidades.

A expedição deverá analisar as alterações no curso do rio, de forma multidisciplinar. O Coordenador da Expedição professor Emerson Soares pontuou que essas mudanças foram provocadas por vários fatores, dentre eles: construções de hidroelétricas, transposição do rio, regime alterado de chuvas, desmatamento, crescimento das cidades ribeirinhas sem saneamento básico, pesca em desacordo com a legislação ambiental e sem monitoramento, secas, crescimento da carcinicultura na foz, aumento do uso de agrotóxicos, entre outras atividades antrópicas.

O Coordenador do CTI-NE e do Projeto Iracema, Aristides Pavani Filho, ressalta que o barco é uma ferramenta de apoio à pesquisa, cujo objetivo é disponibilizar equipamentos científicos embarcados para o monitoramento ambiental e que pode ser operado de maneira autônoma e programável, permitindo obtenção de dados georreferenciados, confiáveis e com grande resolução espacial e temporal. O Iracema deverá gerar um conjunto de informações que após analisadas promoverá conhecimento e facilitará a tomada de decisões futuras para o gerenciamento ambiental.

O coordenador Emerson Soares informou que a expedição resultará em um documentário científico a ser produzido durante todo o trabalho desenvolvido no Rio São Francisco. Há, ainda, a pretensão de publicar um livro com os resultados das coletas e alguns artigos científicos. Para a Universidade a ação científica representa a troca de informações, de experiências com equipes multidisciplinares e tecnologias novas no campo da engenharia ambiental, limnologia e computação, acrescentou, destacando o importante papel em prol da ciência e do conhecimento conectado com as demandas sociais e econômicas.